segunda-feira, 7 de junho de 2010
Artrite Reumatóide (3ª parte)
Aqui ficam alguns conselhos:
• em casa – torne a sua casa um local onde se possa mexer facilmente (não coloque tapetes no chão, retire “bibelôs” que atrapalhem a passagem, escolha portas largas onde se possa passar bem, etc); substitua as torneiras e manípulos das portas arredondados por modelos em forma de alavanca e mais fáceis de abrir; prefira janelas de correr e fáceis de abrir e fechar (leves, que deslizem bem pelas calhas, etc); coloque corrimões em zonas potencialmente escorregadias ou de fácil perca de equilíbrio; a cama e o assento das cadeiras e da sanita deverão estar a uma altura do chão que corresponda aproximadamente aos centímetros que medir entre o seu joelho e o calcanhar (por ex: pode adquirir adaptadores para colocar nos pés da cama para a elevar ou um tampo de sanita mais alto);
• relativamente ao que usa – quanto ao vestuário, os fechos e os botões da roupa tornam-se difíceis de manejar, devido à dor sentida quando o faz ou à deformação que as mãos possam ter, sendo preferível optar por roupas mais práticas e fáceis de vestir como calças com elástico na cintura, blusas fáceis de vestir (largas, com elasticidade, t-shirt, etc.) ou vestidos; quanto ao calçado poderá optar por calçado sem atacadores, com velcros ou “só de enfiar o pé”, ortopédico ou não, mas que seja acima de tudo confortável e adaptado ao formato do seu pé;
• para a realização de tarefas – escolha sempre equipamentos (telemóvel, telecomando, teclado do computador) com teclas grandes, mais fáceis de usar; em períodos de maior dor ou em casos mais avançados utilize utensílios (copos, pratos, jarro, garrafas) de plástico em vez de vidro ou cerâmica, pois são mais leves; saiba que existem muitos tipos de adaptações para todo o género de objectos e para o ajudar em várias actividades, como por exemplo, para ajudar a abotoar uma camisa, a calçar meias, a abrir frascos ou a agarrar pequenos objectos, para tornar um lápis/caneta mais fácil de ser agarrado enquanto está a escrever (aumentando o seu diâmetro), suportes para lhe manter um livro/jornal aberto, etc.
Ontem assinalou-se o Dia Nacional do Doente com Artrite Reumatóide. Desde 2000 que todos os anos se comemora a 5 de Abril, com o objectivo de chamar a atenção para a Artrite Reumatóide, para o número de doentes existente no nosso país, para as consequências desta patologia e todos os problemas que os doentes enfrentam no seu quotidiano.
Saiba ainda que existe a ANDAR, a Associação Nacional de Doentes com Artrite Reumatóide. Esta associação foi criada em 1995 e desde então procura dar apoio aos doentes com artrite reumatóide e informar e esclarecer as dúvidas dos doentes e da população em geral.
A sua sede está localizada em Lisboa e poderá entrar em contacto com a mesma através dos números de telefone 21 7937361 e 21 7986376/7 ou consultando o site www.andar-reuma.pt.
Artrite Reumatóide (2ª parte)
Para melhorar a sua qualidade de vida, as pessoas com artrite reumatóide devem procurar a ajuda de profissionais de saúde e ter determinados cuidados consigo mesmos.
O médico de família, o reumatologista e o fisioterapeuta podem informá-lo sobre esta doença, responder às suas dúvidas, aconselhá-lo sobre os vários tratamentos existentes, dar-lhe dicas para lidar com a patologia, etc.
Quanto mais cedo começar a tratar-se melhores serão os resultados e menor será a progressão da patologia.
Existem várias formas para “combater” este problema de saúde:
• o tratamento farmacológico – poderão ser receitados vários tipos de medicamentos (constantemente surgem novos remédios) para tratar os sintomas da artrite reumatóide, para prevenir que hajam outras complicações, etc.;
• o descanso – em determinadas situações é recomendado o repouso, normalmente quando a doença está numa fase muito activa e a pessoa sente muita dor;
• a Fisioterapia – especialmente depois da inflamação articular estar controlada e tendo como principais objectivos prevenir a deformação das articulações, aumentar a mobilidade e fortalecer os músculos em redor das articulações. Além do tratamento, o fisioterapeuta poderá ainda ensinar-lhe alguns exercícios simples;
• a cirurgia – pode ser necessário recorrer à colocação de próteses articulares ou operar por causa de tendões que deixaram de conseguir manter a estabilidade da articulação, etc;
• a alimentação – deve seguir uma dieta equilibrada para evitar o excesso de peso, que irá causar uma sobrecarga prejudicial às articulação. Para além disso, pensa-se que a ingestão de certos alimentos influencia positiva ou negativamente a artrite reumatóide, melhorando ou piorando os sintomas do doente. Por exemplo, alimentos ricos em ómega 3 (peixes), em cálcio e em proteínas são recomendados;
• a actividade física – ao realizar exercício físico o doente terá benefícios em termos musculares, ósseos, de flexibilidade, cardio-respiratórios e é claro a nível psicológico e social. Mas antes de pensar nisso o doente deverá sempre aconselhar-se com o fisioterapeuta ou com o médico, que lhe recomendarão as actividades físicas mais adequadas (exercício físico moderado, por exemplo hidroterapia).
Sendo esta uma patologia de causa desconhecida e com manifestações muito variadas de pessoa para pessoa, nem todos os tratamentos poderão ser necessários ou funcionarão de igual forma para todos os pacientes.
Para além do tratamento é muito importante uma outra questão. O apoio e compreensão da família e das pessoas que rodeiam o doente são fundamentais. E ao invés a preocupação e protecção exageradas são prejudiciais. É por isso importante que a família, os amigos, os colegas de trabalho, etc, saibam que a pessoa sofre de artrite reumatóide e compreendam esta patologia, os sintomas e as imitações que dela advêm.
Artrite Reumatóide (1ª parte)
Por outras palavras, é uma inflamação das articulações por causa de um mau funcionamento dos anti-corpos do nosso organismo. A acção normal destes é proteger o nosso corpo de organismos estranhos, como vírus e bactérias, mas neste caso os anti-corpos atacam o próprio corpo.
Para além das articulações, a artrite reumatóide pode ainda afectar vários órgãos do organismo, como o coração e os pulmões.
Não se sabe o que causa o aparecimento da artrite reumatóide. Até ao momento a sua origem é desconhecida. Pensa-se que uma pessoa passe a sofrer de artrite reumatóide devido à conjugação de vários factores em simultâneo, tais como factores hereditários (predisposição genética) e ambientais (clima, tabagismo, infecções, etc), que irão também influenciar a forma como se vai manifestar a patologia e como esta evoluirá ao longo do tempo.
Sabia que a artrite reumatóide afecta:
- cerca de seis milhões de pessoas em todo o mundo;
- homens e mulheres, na proporção de três mulheres por cada homem;
- pessoas de todas as idades, inclusive crianças e jovens, sendo mais incidente nos adultos jovens (a partir dos 30 anos) e em mulheres na pós-menopausa (entre os 50 e os 70 anos).
Como já foi referido, a artrite reumatóide afecta principalmente as articulações (a articulação é a zona onde dois ossos se articulam, permitindo que estes se unam entre si e que haja movimento), começando na maioria dos casos por se manifestar nas mãos. Pode atingir várias articulações (joelhos, pés, ombros, coluna, cotovelos, etc.), com mais ou menos consequências e normalmente simetricamente, ou seja, igual do lado direito e do lado esquerdo do corpo.
Esta é uma doença bastante debilitante, como se perceberá pelos sinais e sintomas que a ela estão associados.
Nas articulações afectadas os doentes, de acordo com o caso e com a gravidade da artrite, sentem/notam:
- dor;
- calor/ aumento da temperatura na zona;
- rubor/ vermelhidão;
- edema/ inchaço;
- rigidez articular pela manhã/ dificuldade em dobrar e esticar as articulações;
- limitação de movimentos;
- deformação progressiva ao longo dos anos;
- e nódulos subcutâneos.
É muito importante que seja feito o diagnóstico correcto e o mais cedo possível, por isso se suspeitar que algo de errado se passa com as suas articulações consulte um médico reumatologista.
Não há forma de prevenir nem de curar a artrite reumatóide, contudo pode evitar o agravamento da situação clínica. Mas disso falarei na próxima semana.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Um ano depois....
Como o tempo passa depressa!
Todas as semanas tento falar sobre um tema de uma forma simples e resumida, para que todos os leitores possam ficar a conhecer um pouco mais sobre a sua saúde e o que podem fazer para a melhorar.
Procuro explicar algumas patologias mais comuns entre os portugueses, os seus sinais de alerta e alguns dos factores de risco.
Para além disso tento aconselhar sobre o que se deve ou não fazer e que medidas se podem tomar para prevenir que determinadas situações aconteçam.
Nunca esquecendo, é claro, o papel do fisioterapeuta e como ele pode ajudar em variadíssimas situações, uma vez que é esta a minha área de intervenção.
Costumo ainda destacar alguns dias comemorativos assinalados no calendário português e dar a conhecer algumas associações e o papel que desempenham na sociedade.
Já foram vários os temas abordados. Por exemplo, a osteoartrose do joelho, o AVC, a Fisioterapia, a osteoporose, as tendinites, a postura corporal mais correcta em várias situações, etc.
Mas nem sempre é fácil simplificar determinados temas nem colocar por palavras aquilo que quero transmitir. Muito mais haveria para dizer e para aprofundar.
Nunca se deve esquecer que cada caso é um caso. Eu escrevo sobre a generalidade, por isso não se deve basear no que lê para, por exemplo, se diagnosticar a si mesmo. Deve antes ler o que escrevo como uma forma de alerta, pois se estiver informado mais facilmente:
• irá colocar a mão na consciência e começará a ter hábitos de vida mais saudáveis para prevenir o aparecimento de algumas doenças;
• identificará em si, e nos outros, sinais que o levem a pensar que poderá ter determinada patologia e recorrerá, atempadamente, à ajuda dos profissionais de saúde para que estes façam o correcto diagnóstico e tratamento se necessário;
• recorrerá a associações que o poderão encaminhar e ajudar;
• se preocupará com a sua saúde, fazendo rastreios, análises periódicas, consultando o seu médico de família, não deixando arrastar problemas sem procurar tratamento, etc.
Pelo menos é esse o meu objectivo.
À vossa disposição tenho o meu endereço de correio electrónico fisiocb@sapo.pt. Podem colocar-me as vossas dúvidas, questões e críticas e ainda sugestões de temas que gostariam de ver abordados. Mesmo que não saibam trabalhar com um computador ou com a internet poderão sempre pedir a um familiar que o faça por vocês!
Por fim, gostaria de agradecer a todas as pessoas que lêem semanalmente os textos que escrevo. Obrigado pela vossa atenção!
Incontinência Urinária (4ª parte)
Como referi, na semana passada, em casos de incontinência urinária poderá ser necessário fazer Fisioterapia.
Se for esse o caso deve procurar um fisioterapeuta com experiência na área da incontinência urinária.
Ele irá ensinar-lhe como executar exercícios específicos para o seu caso, irá verificar se os faz correctamente e poderá ainda utilizar formas de biofeedback e a electro-estimulação durante o tratamento.
No entanto, há exercícios simples que toda a gente pode fazer. As pessoas que já tenham incontinência podem fortalecer os músculos do pavimento pélvico e aqueles que não têm incontinência podem, também com recurso a estes exercícios, prevenir problemas futuros.
Mas antes de passar aos exercícios, é necessário que todos saibam exactamente quais são os músculos de que estou a falar. Os músculos do pavimento pélvico são aqueles que envolvem a uretra, a vagina (nas senhoras) e o ânus e que permitem controlar a abertura ou fecho destes orifícios. Têm ainda como função suportar a uretra, a bexiga, o útero (nas senhoras) e o recto. Pode dizer-se, de uma forma mais simples, que são os músculos da base do nosso tronco.
Para poder exercitar correctamente estes músculos é preciso saber exactamente como é sentida a sua contracção.
Nas mulheres, os músculos do pavimento pélvico podem ser facilmente sentidos quando está na casa de banho a urinar e interrompe o fluxo de urina.
Já no caso dos homens, a melhor forma de sentir estes músculos é contrair o ânus, como quando tem vontade de libertar gases e impede.
São esses os músculos que não podem perder força, pois se isso acontecer mais facilmente irá ter perdas de urina. Se forem exercitados não perderão a sua capacidade de contrair (prevenir) e poderão ganhar as capacidades que já tinham perdido (reabilitar).
Para exercitar os músculos do pavimento pélvico faça estes exercícios:
· contraia durante um ou dois segundos (que vai ser o tempo que inicialmente conseguirá contrair), descanse um ou dois segundos (tempo de descanso igual ao tempo de contracção) e volte a contrair um ou dois segundos. Ao longo do tempo vai conseguir contrair durante mais segundos (10 segundos é óptimo) e vai conseguir fazer mais repetições (10 vezes é suficiente);
· contraia com toda a força e descontraia logo a seguir e assim sucessivamente até 10 repetições. Estas contracções e estes relaxamentos devem ser feitos rapidamente e com força.
Como vê são exercícios muito simples que não custam dinheiro, em que não precisa de suar e que vão demorar apenas alguns minutinhos a fazer.
Pode efectuá-los em várias posições, começando pelas mais fáceis (deitado, sentado) e progredindo para as mais difíceis (de pé, agachado).
Estas contracções podem ser feitas em qualquer lugar e a qualquer altura do dia, até porque só você é que saberá que as está a fazer, mais ninguém se aperceberá. Por exemplo, quando está sentado a trabalhar ao computador, quando conduz para o trabalho, quando se deita antes de adormecer, enquanto vê televisão, quando está a passar a ferro, etc.
Não se esqueça de contrair quando mais necessita, ou seja, quando tiver de espirrar, tossir, fazer um esforço, etc.
Deve realizar estes exercícios várias vezes por dia, incluindo-os na sua rotina diária (como o lavar dos dentes), e continuar a fazê-los ao longo do tempo, mesmo que já se sinta melhor.
Até porque os efeitos deste treino não são imediatos, só começando a notar melhorias após 2 a 4 meses de prática e tendo realmente bons resultados passados 6 meses. Nem são tão pouco permanentes, pois se parar de fazer os exercícios os músculos começarão de novo a enfraquecer.
Este tipo de exercícios traz mais benefícios para os casos de incontinência de esforço, no entanto, ajudam também nalguns casos de incontinência de urgência.
Cada caso é um caso e para alguns os exercícios serão suficientes para resolver o problema, para outros os sintomas de incontinência diminuirão apesar de não desaparecerem.
Não se esqueça que toda a gente deveria fazer treino dos músculos do pavimento pélvico, independentemente de ser homem ou mulher, de ser novo ou ser velho (nunca é tarde para começar) e de ter incontinência ou não (pois a prevenção é muito importante).
No próximo dia 14 de Março assinala-se o Dia da Incontinência Urinária.
O objectivo deste dia é informar e sensibilizar a população e os profissionais de saúde. Este ano pretende-se chamar a atenção para a existência de tratamentos fáceis e eficazes. Deixe de lado a vergonha!
Se quiser saber mais visite o site da Associação Portuguesa de Urologia em www.apurologia.pt.
Incontinência Urinária (3ª parte)
Os problemas urinários podem trazer complicações e mau estar no seu dia-a-dia. Além dos problemas de higiene há ainda que ter em conta os problemas sociais que a perda de urina pode trazer.
Muitas pessoas vivem constantemente preocupadas em encontrar uma casa de banho ou desistem de fazer determinadas actividades com receio de que os outros notem que elas sofrem de incontinência urinária.
Mas muito pode ser feito. E o principal é começar por se tratar e informar. Só assim poderá aprender a lidar com a incontinência urinária, a melhorar a sua qualidade de vida e até, nalguns casos, a resolver esse problema.
Existem algumas alterações no estilo de vida que devem ser feitas relativamente:
· às bebidas que ingere – deve beber moderadamente, nem muito nem pouco (um bom indicador da quantidade adequada é a cor da urina, que deverá ser da cor da palha clara), pois deixar de beber líquidos não é solução, pelo contrário, poderá conduzir a irritações da bexiga (tornando-a mais activa) e a infecções urinárias. Não deverá abusar do café e das bebidas com gás ou alcoólicas, pois estas são diuréticas, fazendo com que tenha mais vontade de urinar;
· ao peso corporal – o excesso de peso conduz muitas vezes à incontinência urinária, devido ao aumento da pressão abdominal, logo é importante que tenha um peso saudável;
· ao tabagismo – o problema de ser fumador quando se tem incontinência urinária é que as pessoas que têm esse hábito costumam tossir mais e a tosse provoca uma maior pressão sobre a bexiga, com as consequentes perdas de urina;
· e à ida à casa de banho – especialmente se a pessoa tem algum tipo de dificuldade de mobilidade, como a falta de destreza manual ou problemas em se deslocar. Começando pela roupa que veste, que não deve ser complicada de despir, devendo evitar, por exemplo, roupas como os macacões ou fechos difíceis de abrir. Já quanto à casa de banho propriamente dita, veja se é fácil chegar à mesma, se não pode fazer algumas alterações para que seja facilmente usada por toda a gente da casa, como desviar objectos que ficam no caminho até à mesma, colocar barras laterais de apoio na sanita, elevar o assento da mesma, etc.;
Para além destes conselhos, existem ainda outras medidas que poderão ser tomadas:
· usar a protecção mais adequada a cada situação e de forma correcta (no caso das pessoas acamadas mudar frequentemente), pois se se sentir confortável isso irá melhorar a sua qualidade de vida e a sua confiança e reduzirá a ansiedade de andar sempre preocupada com a perda de urina;
· em casos específicos poderá ser necessário, por exemplo, colocar um cateter para esvaziamento da urina, tomar medicamentos específicos ou até recorrer à cirurgia. Mas estas são questões que só o seu médico especialista em uroginecologia ou urologia (especialidades que se ocupam das perturbações e doenças do aparelho urinário do sexo feminino e do sexo masculino, respectivamente) lhe poderá esclarecer;
· treinar a bexiga, nos casos de incontinência de urgência, tentando aguentar mais quantidade de urina durante mais tempo, para diminuir o número de idas à casa de banho, e assim, progressivamente, educar a bexiga e aumentar o espaço de tempo entre micções;
· e ainda Fisioterapia e exercícios simples, de que falarei na próxima semana.